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É Coaching? Mas será que é mesmo?
Escrito por André Mattos   
Qui, 27 de Agosto de 2009 19:06

As maiores descobertas da humanidade (aquelas que derrubam antigos padrões) passam pela provação do início. Antes de ser aceita como verdade, é insistentemente negada por aqueles que preferem se agarrar à suas certezas, mesmo que estas não funcionem mais, a experimentar o novo.

Meu professor de coaching no último dia da certificação disse que o maior desafio da nossa profissão no Brasil não está em aplicar a metodologia de coaching com sucesso, mas, nas palavras dele “educar o mercado”, e antes de tudo deixar claro para as pessoas o que REALMENTE é coaching.

 

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Por que educar o mercado?

 

Por que tem alguns profissionais ofertando seus serviços sobre o título de coaching executando “algo” que pode ser qualquer coisa, MENOS COACHING.
Coaching oferece uma metodologia extremamente linear, guiada por um rigoroso código de conduta e ética. Se um dos itens deste código é infligido, então simplesmente não é coaching.

Importante: isto não implica em uma estrutura rígida, engessada e sem criatividade. A “espinha dorsal” da atividade não muda, o que muda são estilos diferentes de seguir esta estrutura.

E temos diversos estilos de trabalho no mercado brasileiro, os que seguem os padrões internacionais de conduta apresentam resultados extraordinários, os que não seguem se perdem no caminho.
Infelizmente ainda temos mais profissionais que se apresentam como coaches do que coaches profissionais no mercado. Estes indivíduos muitas vezes apenas mudam a designação em seus cartões de visitas e se aproveitam da crescente popularidade da atividade, sem estudar a fundo como devem atuar, sem estabelecer uma estrutura para sua estratégia de coaching e principalmente, sem se dar conta do desafio inerente à atividade, ser coach requer muito preparo.
Daí o fato de termos crescentes exemplos de projetos de coaching que não apresentaram resultados satisfatórios no mercado brasileiro.

Mas então como saber se a atividade é coaching ou não?

Estes 4 pilares são primordiais e determinam claramente se atividade em questão pode ou não pode ser enquadrada no termo Coaching:

Conteúdos psicológicos

Conteúdos psicológicos é a matéria de traumas, fobias, compulsões etc. Em coaching NÃO se trabalha conteúdo psicológico! Para trabalhar este tipo de caso a pessoa precisa de um bom terapeuta, inclusive coaching não é indicado para pessoas que se sentem muito incomodadas com determinados fatos do passado, um coach ético sem hesitar recomenda que o cliente procure um terapeuta e não aceita o projeto. Depois que o cliente estiver confortável com o determinado conteúdo, o coaching pode ser iniciado.
Coaching é um processo racional e cognitivo, como somos seres essencialmente emocionais, a emoção faz parte da agenda de trabalho do coaching. Isto é muito diferente de investigar traumas e desconfortos.
Desenvolver a chamada “inteligência emocional” é um dos muitos ganhos do processo, afinal desenvolver estratégias para lidar melhor com suas emoções é essencial para qualquer pessoa que queira uma vida mais equilibrada.

Conselhos

Coach não é conselheiro. Este pilar da ética do coaching é essencial, nunca o profissional deve dizer ao cliente o que ele deve fazer. O segredo do grande compromisso com o resultado que o processo de coaching tem é que as ações, os planos, as tarefas são todas escolhidas pelo cliente. É ele que define o que e como vai fazer para atingir seus objetivos. Ao coach fica a tarefa de APOIAR no que for necessário e DESAFIAR o coachee a sair da zona de conforto, a EXPANDIR sua identidade e condicionar os MÚSCULOS das habilidades e competências necessárias à conquista de suas metas.
Importante: o coach pode e deve oferecer informações, opções e propor atividades ao cliente, mas este tem todo o PODER para decidir o que vai aplicar ou não em sua vida.

Interpretações e julgamentos

Atenção: o coach não é um guru! Assim como a boa prática de coaching não oferece conselhos também não julga as ações do coachee. Por mais que o coachee peça e, em alguns casos, exija o coach deve manter sua postura e não oferecer pareceres sobre as ações do coachee. Existe apenas Feedback, pontual e preciso orientado por um profundo foco nos objetivos do cliente. O coach defende os objetivos do cliente e com a constante prática do feedback, traz à consciência a efetividade das suas ações.

Foco primordial em desenvolver competências

A razão de ser de um processo de coaching é a meta do cliente, é o resultado que ele espera atingir através do apoio do coach. Esta meta chamamos de meta estratégica.
A orientação do um projeto de coaching é:
Para atingir este objetivo, o que o cliente precisa desenvolver? Quais habilidades precisam ser reforçadas? Quais precisam ser aprendidas?
E aí temos a meta de competência, ou meta de desenvolvimento. O processo de coaching acaba quando a meta de COMPETÊNCIA é atingida, mesmo que a meta ESTRATÉGICA não tenha sido conquistada ainda. Ou seja o objetivo, a razão de ser do coaching é EMPODERAR o cliente para que este conquiste seus objetivos, e não ser algo que ele dependa e use por tempo indeterminado. Muito cuidado, há profissionais atuando que se dizem coaches e que criam uma relação de desconfortável dependência com seus clientes, ATENÇÃO isso ai NÃO é coaching.

No Brasil ainda não temos um órgão fiscalizando a atuação dos profissionais, há movimentações neste sentido e o ICF (International Coaching Federation) já possui um representante em São Paulo, em breve teremos uma federação brasileira. Enquanto isso o mercado tem que se informar e procurar os bons profissionais disponíveis no meio da maré da moda. Como todo mercado que se desenvolve, quem for realmente bom e atuar dentro dos padrões de excelência permanece, aos outros resta apenas mudar mais uma vez a designação em seus cartões de visita.

 

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