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Insanidade é fazer a mesma coisa e esperar resultados diferentes
Escrito por André Mattos   
Qui, 27 de Agosto de 2009 19:19

Nosso cérebro foi condicionado, por milhares anos de evolução, a classificar e agrupar tudo o que acontece conosco em padrões. Assim não precisamos pensar para reconhecer se algo representa perigo ou se é um alimento; se representa um risco ou uma oportunidade. Esta característica, ligada diretamente ao sistema de “luta ou fuga”, representou a sobrevivência da nossa espécie até bem pouco tempo, mas agora pode nos aprisionar em uma contínua repetição do ontem.

Minhas amigas e meus amigos

Por um momento pense no que você já fez hoje, principalmente naquelas atividades automáticas e rotineiras, que você não precisa de muita reflexão para executar. O quanto do que você fez hoje foi exatamente igual ao que você fez ontem? Você tem o hábito de avaliar o seu dia e se perguntar: o que eu poderia fazer um pouco melhor amanhã? Você usa o seu dia-a-dia como fonte de aprendizado e autoconhecimento?
O avanço da Neurociência nos revelou que em um dia normal, passa por nosso cérebro cerca de 40 mil pensamentos. Felizmente não percebemos a grande maioria desta informação, 95% destes pensamentos ocorrem no nível do inconsciente. Parece pouco provável que apenas 5% do que passa em sua mente seja notado, não é mesmo? Pois bem, esta marca nos fornecem incríveis 2 mil pensamentos para administrarmos em nosso dia! Se você dorme 6 horas por noite, ocorre em sua mente 2 pensamentos conscientes por minuto! Fora os 35 pensamento inconscientes a cada minuto! Haja equilíbrio mental!
A informação mais desconcertante em minha opinião vem agora: de todos estes pensamentos 80% é exatamente igual ao que você pensou ontem!
É natural agirmos perpetuando nossos padrões, em muitos contextos isto facilita a nossa vida, mas em outros pode significar frustração ou estagnação.
A genial frase de Einsten que tomei emprestado no título deste artigo expressa formidavelmente o quanto nossos padrões podem nos atrapalhar.
Basta pensar em quantas oportunidades você persistiu tentando fazer algo, e mesmo não dando certo continuou da mesma forma, repetindo os mesmos movimentos, as mesmas tentavas. E como se fosse mágica, quando você mudou um pequeno detalhe tudo deu certo. Já passou por isto não foi?
Seus padrões influenciam seus comportamentos, seus relacionamentos, suas decisões, suas vontades e tudo mais que acontece em sua vida. Em todos os momentos de sua vida eles estão presentes, seja um por vez ou vários ao mesmo tempo.

Mas qual a utilidade desta informação?

A imediata aplicação deste conhecimento é começar a reconhecer quais ciclos tem se repetido em uma base regular, avaliar se funcionam bem, se for o caso escolher novas maneiras de realizar a tarefa e condicionar estas novas escolhas até que se tornem automáticas.
Em outras palavras você vai gerir os seus padrões!
Vamos aos três passos para iniciar a gestão de seus padrões:

Identifique e nomeie

Quando damos um nome a alguma coisa passamos a reconhecer sua existência e nos apropriamos daquilo. Ativamos um sistema em nosso cérebro chamado “Percepção seletiva”, que em termos gerais, controla o que “enxergamos” de nosso mundo. Lembra dos índices do começo do texto, pois bem, não podemos perceber todas as informações disponíveis no nível do consciente, por isso a percepção seletiva informa ao nosso cérebro o que deve ser “visto”. E ao destacar os padrões como importantes, automaticamente você vai começar a percebê-los. Ao tomar consciência de um padrão precisamos passar para o passo 2....

Avalie e aperfeiçoe

Um padrão não é bom ou ruim, é apenas algo cíclico, repetitivo, é uma resposta automática. Quando percebemos a existência de algo assim, podemos checar se está gerando os resultados que queremos ou se está nos afastando de nossos objetivos.
Digamos que você tenha tarefas que precisa se concentrar muito para fazer, como elaborar um relatório por exemplo. Se todas as vezes que você iniciar, e antes checar seus e-mails, e responder os mais importantes, e acessar sites que colegas indicam, e encaminhar os mais interessantes e só então iniciar seu trabalho, é provável que sua capacidade de concentração estará muito baixa, e o relatório ficará bem mais difícil de ser terminado. Este padrão definitivamente não contém a melhor estratégia para fazer relatórios.
É importante agora criar novas maneiras de executar a tarefa e testá-las. No exemplo do relatório uma alternativa poderia ser desligar a internet e separar 1 hora para trabalhar sem interrupções. Outra poderia ser determinar alguns horários específicos para checar a caixa postal.
Com algumas boas alternativas testadas vá imediatamente para o passo 3...

Condicione

Novos hábitos não são fáceis de iniciar, no início precisamos ter bastante força de vontade e determinação. É essencial um período de condicionamento consciente dos novos padrões que, como em uma academia de ginástica, vai exigir bastante esforço no começo, mas depois vai ficar cada vez mais fácil manter o padrão.
No período de condicionamento é comum o antigo padrão voltar, e isto não importa, desde que quando acontecer você esteja consciente e trabalhe para que da próxima vez não aconteça.

Ao gerir nossos próprios padrões temos diversos benefícios, aumentamos significativamente nosso autoconhecimento, transformamos nosso dia-a-dia em fonte de aprendizado e sem dúvida alguma, melhoramos nossos relacionamentos em todas as áreas de nossa vida. Deixar que nosso cérebro tome a maior parte de nossa decisões no automático, apenas perpetuando nossos padrões é um luxo que não podemos ter nos dias atuais e é garantia de frustração. Que tal passar a gerenciar seus padrões a partir de agora?

 

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